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O futuro dos dispositivos mobile: o usuário é o foco

Newton Lavieri Junior (*) 

Ainda estamos sob o reinado dos apps para dispositivos Mobile. Quanto tempo mais teremos para decidir e iniciarmos a transição para algo mais eficiente? Os usuários brigam pela a quantidade de memória dos dispositivos. Tudo bem, no Brasil os fornecedores não costumam disponibilizar opções de memória como nos USA ou Europa. Mas, sabemos que quanto mais memória o usuário tiver, mais utilizará. Não há limites. Ahhhh, claro que o usuário prefere gastar memória com suas fotos, vídeos e arquivos particulares.

Por esses aspectos, o nível de retenção dos apps é extremamente baixo após um curto espaço de tempo após a instalação. Com certeza, estamos no meio de uma crise de engajamento mobile. A rápida evolução do mercado fez com que passássemos por cima de algumas fases de comunicação com os usuários, e por isso mesmo não conseguimos atingi-los corretamente.

Lembrem-se, primeiro tentamos vender os apps. Depois tentamos segmentar os recursos, tentando fazer com que o usuário assimilasse pelo menos um deles.

Esquecemos que o usuário tem as suas próprias preferencias, e se o app não for essencial para ao seu próprio dia-a-dia dele, nada feito, e será removido para dar espaço para outra coisa. Não estamos fazendo diferenciação entre Mobile App e Web App, ChatBot etc. Estamos apenas comentando o comportamento do usuário com um app.

O usuário utiliza o dispositivo mobile como algo de uso pessoal.  Não larga e nem deixa com outras pessoas. Não empresta. Pode esquecer a carteira, mas não esquece o seu “mobile”. É a última coisa em que toca antes de dormir, e é a primeira ao acordar. Faz parte do cotidiano, está incorporado ao hábito diário.

Um dispositivo pessoal terá tantos recursos quantos o usuário solicitar. Este é o objetivo e o desejo que o fabricante pretende atender. Se o usuário quer mais performance, o fabricante oferece processador mais potente, mais memória para executar seus Apps sem engasgar.  Muito embora o fabricante pretenda compreender o que o usuário quer, e incluir os recursos no dispositivo a ser oferecido ao mercado, o usuário vai pagar por tudo isso. Cabe ao App (qualquer tipo, com qualquer tecnologia) utilizar os recursos da melhor maneira possível, integrando-se às necessidades do usuário.

Hoje, temos dispositivos móveis com um “hardware” bastante potente, o que não havia em computadores e laptops há apenas alguns anos. E, que mesmo assim, são bastante limitados na sua utilização, podendo executar Apps bastante variados e com um Navegador (browser) para acesso a sites na Internet e outras coisas.

Quais as opções para o nosso futuro e as possíveis direções na tecnologia de um dispositivo móvel?

Certamente, que seria mais conveniente que os novos dispositivos móveis fossem mais funcionais, mais pessoais e mais baratos, mas não são!

Assim, podemos pensar num futuro onde o “software” do dispositivo fosse menos aberto para os Apps e mais voltado para o acesso Internet (browsers ou navegadores). Isto tornaria o hardware mais barato e menos essencial em performance, podendo concentrar-se em oferecer melhores condições para o conteúdo pessoal (fotos, vídeos, documentos etc.).

Desta maneira, os fornecedores de “software” (IOS e Android, fundamentalmente) poderiam trabalhar bem melhor suas opções de navegadores e incentivar os provedores de Apps para utilizar a interface Web, ao invés de cada um ter um “programa” que deve ser baixado e executado no próprio dispositivo.

Claro, apps para Home Banking poderiam utilizar-se de uma interface específica com requisitos de segurança mais sofisticados. Mas, a grande maioria não utiliza mais do que um Banco, e todos os outros apps seriam apenas “links” para aplicações Web que estão na Internet e seriam carregados e executados utilizando-se do seu navegador, exatamente da mesma maneira quando você utiliza seu desktop ou laptop.

Streaming também continua funcionando da mesma maneira. Youtube e outros podem utilizar as interfaces fazer que estão disponíveis no seu Navegador, que agora está livre das amarras restringidas pelo tamanho de memória e recursos compactados para funcionar todos ao mesmo tempo.

E, agora, em que você está pensando?

Quer um dispositivo mais barato e que ainda assim possa executar todos os apps, mesmo aqueles que você não precisa, e ainda tenha espaço para o seu conteúdo pessoal.

(*) Consultor de empresas no Desenvolvimento de Negócios e Projetos em Energia Solar, Telecom, Internet, Mobile App e IoT.