O momento para se preparar para a LGPD é agora

Prevista para entrar em vigor em agosto do ano que vem, a nova Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) promete uma verdadeira revolução no modo como as empresas brasileiras coletam, armazenam e usam os dados de seus clientes. As discussões sobre o tema já estão acendendo a luz vermelha das organizações, pois a maioria ainda não sabe como essa nova legislação deverá impactar os negócios.

 Afinal de contas, independentemente do tamanho ou do segmento empresarial, o fato é que os dados têm um papel fundamental para o andamento das atividades. Imagine, por exemplo, o que sua empresa faria se todas as informações digitais relacionadas a clientes simplesmente não estivessem mais acessíveis. Como seria possível trabalhar sem esses dados?

Com processos cada vez mais conectados, não é exagero dizer, portanto, que as informações estão no coração das atividades empresariais, incluindo todas as etapas de relacionamento com clientes, assim como na gestão de sistemas, fornecedores e no controle de processos de fabricação e de vendas. Por isso mesmo, a verdade é que, na era dos dados pessoais, empresas de todos os segmentos estão diante de desafios semelhantes, para o bem e para o mal, diga-se.

Isso fica ainda mais claro quando notamos que ter informações dos clientes é importante para o sucesso dos negócios, mas também é a origem de grandes dúvidas e possíveis problemas. Basta acompanhar o noticiário para constatar a dimensão dos riscos e dos impactos para o futuro das empresas que sofreram perdas ou vazamento de dados. Não por acaso, pesquisas do Gartner apontam que a segurança das informações é hoje uma das três principais preocupações dos líderes de TI em todo o mundo.

É neste contexto que a LGPD chegará ao Brasil, apresentando novas regras para uso, armazenamento e compartilhamento de informações e obrigando as empresas a trabalharem em conformidade com uma nova dinâmica que garanta mais segurança aos dados no ambiente digital. Além disso, a lei demandará uma série de alterações em todos os registros, ao pedir o consentimento dos consumidores para uso de dados, ao estabelecer novas regras de subscrição e ao determinar novos formatos de utilização e de compartilhamento de informações. Ou seja, se sua empresa tem qualquer tipo de planilha, mailing ou arquivo com dados de clientes, ela certamente terá de se adequar à legislação. Por isso, as companhias precisam se preparar desde já, uma vez que eventuais ajustes não poderão ser feitos depois que a lei entrar em vigor.

Os desafios serão imensos, principalmente por envolver informações e processos que valem dinheiro. Somente em 2018, ataques virtuais e roubos de dados custaram, em média, US$ 1,35 milhão para as companhias brasileiras. Mais do que isso, fomos o segundo principal alvo de ciberataques, aparecendo no topo dos rankings de tentativas de fraudes por phishing. Todos estes números comprovam que a interrupção do trabalho das empresas pode ser extremamente onerosa e impactante. Dados, acima de tudo, são ativos de negócios.

O momento exige que as companhias agreguem inteligência à análise de informações, colocando os dados em destaque dentro do seu planejamento. Portanto, o Brasil não deveria novamente deixar para o último minuto os ajustes necessários para adequação à nova regulamentação, pois a continuidade dos negócios dependerá diretamente das informações que, sem dúvida, estão entre os principais ativos da atualidade.

Avançar no conhecimento acerca do que é a LGPD – e como ela afeta a rotina das operações - é o primeiro passo de preparação, pois a nova jornada demandará que as empresas sejam capazes de controlar todos os seus ativos digitais. Para a criação desse ambiente regulamentado, será preciso analisar toda a estrutura para mapear quais dados são armazenados, os formatos de coleta, as etapas de validação, os locais de armazenamento, as áreas que utilizam as informações e para quais atividades, além de um conjunto enorme de verificações e controles que precisam ser criados para as necessidades específicas de cada empresa.

Outro ponto essencial é capacitar as equipes para a nova realidade. Contar com tecnologia adequada e treinamentos de especialistas são condições essenciais para evitar o comprometimento de toda a estrutura empresarial. Pesquisas apontam que mais de 60% das perdas de dados são geradas por causa de falhas humanas, o que pode ser evitado com soluções de TI que possam gerenciar dados e gerar mais segurança e confiabilidade.

Estar preparado para a LGPD vai significar ir muito além do que manda a lei. Ao analisar suas estruturas, as companhias brasileiras podem aproveitar esse momento para catalogar seus dados e o fluxo interno que as informações percorrem em todas as áreas para a geração de novos resultados para os negócios. Por isso, analistas de indústria preveem um grande salto no aumento do uso de sistemas de automação focados em Data Intelligence, Analytics e Inteligência Artificial. Com a entrada em vigor da legislação, as empresas brasileiras estarão diante de uma nova estrada, com rotas diferentes. As companhias que escolherem o caminho do sucesso conseguirão transformar os desafios da nova lei em novas oportunidades de crescimento e de geração de valor. Como dizem, precisamos acreditar que todo progresso acontece fora da zona de conforto.

(*) Manager da ASG Technologies para a América Latina.