Como o uso de dados pode ser benéfico para o planejamento educacional das instituições

Como o uso de dados pode ser benéfico para o planejamento educacional das instituições

O uso aprofundado de dados quantitativos e qualitativos já é uma realidade em muitos segmentos - na nossa vida pública ou privada. Fazemos compras, interagimos socialmente, conhecemos notícias, realizamos nosso trabalho e tudo isso nos é apresentado a partir de algoritmos que organizam dados gerados no mundo todo, a todo momento. 

 

E nesse cenário, o mundo educacional está cada vez mais inserido, devido ao advento de plataformas digitais capazes de estruturar informações originadas pelos alunos durante os processos de ensino e de aprendizagem.

Especificamente falando sobre o planejamento educacional, citamos três vantagens do uso de dados:

• Análise longitudinal do desempenho dos alunos: antigamente, muitas informações dos alunos eram coletadas apenas em papel, em momentos específicos e analisadas restritamente dentro da seara de uma determinada disciplina ou currículo. Já com o uso da tecnologia adequada e de dados provenientes de avaliações, questionários e censos escolares, hoje é possível conhecer todo um histórico de informações relacionadas ao desempenho dos alunos em diferentes níveis escolares. Com esse tipo de conhecimento, gestores educacionais de instituições ou sistemas de ensino têm a possibilidade de realizar análises de longo, médio e curto prazos, de perceber quais ações geraram os resultados esperados e em quais pontos precisam ser feitos novos investimentos para corrigir deficiências.

• Identificação de lacunas no aprendizado do aluno: a análise de dados sobre o desempenho dos alunos por meio de avaliações feitas pelos professores ou por exames externos (realizados pelo governo ou por agentes contratados para tal fim) é uma maneira bastante eficiente de identificar lacunas no aprendizado (individual ou de grupos) e então, planejar ações de intervenção pedagógica e o momento correto de implementá-las. Para tanto, é preciso que a equipe pedagógica escolar conheça e se debruce sobre os resultados dos alunos, mas também, tenha clareza sobre os conteúdos, habilidades e competências que foram efetivamente aferidos para que aqueles dados fossem gerados. Neste ponto, o conhecimento gerado pelos dados estatísticos só tem significado quando relacionado à experiência de quem vive o dia a dia da sala de aula e conhece suas especificidades.

• Descoberta de fatores externos à sala de aula associados à aprendizagem: sabemos que o desempenho do aluno não é apenas fruto de sua interação em sala de aula, afinal, crianças e jovens com diferentes backgrounds econômicos e sociais têm diferentes trajetórias acadêmicas. Nesse sentido, a análise de dados educacionais que relaciona o desempenho dos alunos com suas características contextuais traz ricas informações sobre fatores não totalmente controlados pela escola (mas que podem ser minimizados ou maximizados) com potencial de atrapalhar ou de promover uma aprendizagem significativa - o que é de extrema importância para o planejamento realizado por gestores de instituições e sistemas de ensino publicou ou privados. Apenas para citar alguns exemplos desses fatores já descritos pela literatura: apoio da família à vida escolar do aluno, reconhecimento do gestor educacional como uma liderança efetiva, segurança, expectativa do professor quanto ao desempenho dos seus alunos etc.

O uso de dados não é algo trivial, depende muito de como esses serão transformados em informação relevante e como serão apresentados para professores e gestores educacionais. Mas a melhor maneira é uma apresentação simples e objetiva, em que esses atores sejam capazes de entender as informações de desempenho e realizar comparações entre os fatos apresentados. Vale aqui, contudo, destacar que esse trabalho de planejamento só é realmente possível se os dados analisados forem geradas de maneira ética e responsável pelos agentes avaliadores (seja um professor na sala de aula, o governo que organiza um exame oficial ou uma empresa privada contratada para realizar um trabalho de assessoria), sempre prezando pelo rigor metodológico, a segurança dos dados e a transparência do processo.

É importante pensar na coleta de dados e na avaliação não como atos burocráticos institucionais que servem apenas para “dar uma nota” aos alunos que precisam passar de ano ou semestre. A leitura de dados e a constituição de diagnósticos são ações que efetivamente alimentam os processos de ensino e de aprendizagem com informações relevantes para que os professores gerenciem suas técnicas pedagógicas e promovam momentos de aprendizagem significativa por alunos que não são apenas consumidores de conteúdo, mas que interagem, questionam, criam novas compreensões.

Nesse sentido, são justamente esses diagnósticos contínuos que permitem o desenvolvimento de planos de ação adequados, realistas, que auxiliem na superação de dificuldades ou na transposição de práticas positivas para outras localidades.

Considerando, portanto, os processos de ensino e de aprendizagem como um continuum, a leitura de dados, a formação de diagnósticos e o desenvolvimento de planos de ação também precisam ser realizados de maneira contínua, adequada à realidade de cada aluno ou de cada grupo de alunos.

(*) Fundador da TRIEduc Inteligência Educacional.