O que acontece quando as startups incorporam as propostas techies de seus funcionarios?

O que acontece quando as startups incorporam as propostas techies de seus funcionarios?

Uma startup pode contar com uma configuração grande ou pequena, pode ter sido concebida em uma praça ou em um tempo livre de uma faculdade de tecnologia ou, pelo contrário, ser fruto do egresso de uma mega empresa global como a Google. Há startups que se formam para durar e crescer ao longo do tempo e outras nascidas ao calor de alguma moda que, como todo fogo, tende a apagar-se a curto prazo.

No entanto, se há algo que está no DNA de qualquer startup é sua essência disruptiva e desajeitada. Seria difícil encontrar uma empresa deste tipo querendo impor as típicas regras rígidas de qualquer corporação ou companhia tradicional.

Seguindo a lógica de sua criação, cada vez são mais os donos de startups que, em sintonia fina com os membros de sua equipe, acompanhamos de perto as novidades que, em matéria de inovação tecnológica, seus funcionários podem proporcionar, inclusive com atividades que realizam fora do horário de trabalho. Um exemplo claro é o da Constanza Luciani, que além de ser Front-end Specialist da Real Trends, dedica seu tempo a ser streamer.

O que faz realmente um streamer? “Pessoalmente tenho um contrato ativo com a Twitch.tv, uma plataforma da Amazon que oferece serviços de streaming de vídeos ao vivo e cujo foco principal são os videogames. Neste site mantenho uma série de programas semanais, de duas a cinco horas de duração por dia. Transmito em tempo real enquanto converso com as pessoas que seguem o canal ao vivo”, comenta Constanza.

O mundo dos streamers não se esgota nos gamers. Há streamers de todo tipo. Jogadores profissionais de diferentes equipes, pessoas que fazem stand-up de humor, também streamers criativos que, por exemplo, se dedicam a transmitir sua arte a um público determinado, criando performances através da tela.

Na Real Trends apoiamos os projetos pessoais e profissionais de cada um dos nossos funcionários. Suas experiências nutrem a equipe e somam ainda mais ao estarem relacionadas com temas tecnológicos.

Do Blockchain ao Bitcoin

Sobre criptomoedas muito se fala, mas pouco se entende. Sobre esse tema, é interessante mencionar o que aconteceu em outra startup chamada Givoa Consulting. Esta empresa dedicada a peritagem, valoração e taxação de obras de arte, um belo dia decidiu prestar atenção ao que propôs um dos seus funcionários. Matias Infantes, que se dedica a área de IT da empresa insistiu a seus chefes que a empresa poderia incorporar o Blockchain ao seu já existente serviço de certificação de obras de arte.

“Por ser uma total novidade, no início não foi nada fácil. Entretanto, bastou que eu explicasse como funcionava para que meus chefes a incorporassem à empresa”, comenta Matias.

Blockchain é uma base de dados compartilhada e descentralizada – nascida em 2009 com o sucesso do Bitcoin – que cresceu independente e hoje está penetrando profundamente em todos os setores da economia global. Funciona como um livro para o registro de operações de compra e venda ou qualquer outra transação comercial-financeira-administrativa.

Que papel cumpre o Blockchain no mundo das artes? Gustavo Perino, sócio fundador da Givoa explica: “Se trata de uma grande base de dados, pública, remota e inviolável, na qual se podem registrar arquivos digitais de todo tipo. Isto está quebrando um paradigma muito antigo que sustentava que uma obra era o que o papel ou certificado dizia. De algum tempo para cá, os principais atores do mercado e startups começaram uma série de transformações radicais para surfar nesta onda”, sustenta o perito que celebra ter ouvido a tempo a sugestão de um membro de sua equipe.

E se falamos de Blockchain, é impossível não fazer uma referência sobre o que está acontecendo com o Bitcoin. Quem melhor que alguém que aposta em Bitcoins para fazer parte de sua empresa? Sérgio Gómez é IT Tech Leader da Real Trends e encontrou espaço para expor sua paixão por esta atividade: “É possível apostar em Bitcoin de várias maneiras, mas basicamente as atividades mais comuns são: adquirindo Bitcoins como reserva de valor ou realizando transações de Bitcoins. Neste sentido, milhares de pequenos comércios e grandes lojas apostam nesta moeda virtual a aceitando como forma de pagamento”.

Foi assim que nos procuramos que Sergio nos introduza em temas inovadores como o do Bitcoin, não só porque somos uma empresa de tecnologia mas também porque nos dedicamos ao ecommerce. Está tudo muito relacionado. É enriquecedor para toda a equipe.

Seguramente no interior de cada empresa há exemplos como estes, multiplicados por tantas tecnologias novas quanto por funcionários. Se você é um empreendedor, é questão de estar alerta ao que eles realizam, vencer preconceitos e saber potencializar o que os techies de sua equipe propõem. Se você é funcionário, o ideal é mostrar que o que te apaixona em matéria tecnológica fora do trabalho não é incompatível com os objetivos de seu posto. Basta se animar, propor e ser escutado.

(*) CEO e Co-founder da Real Trends, plataforma de ferramentas de análise e gestão para vendedores do Mercado Livre.